Remodelação do Serviço de Doenças Infecciosas

Hospital de Santa Maria - Antes



Hospital de Santa Maria - Depois

Inovações Estruturais

As doenças infecciosas têm cada vez mais relevo no âmbito da medicina, em geral, quer por terem surgido nos últimos anos novas doenças infecciosas, quer por ter havido uma recrudescência das doenças infecciosas já conhecidas.

Relativamente às doenças infecciosas nosocomiais, isto é, adquiridas em ambiente hospitalar, o risco põe-se para algumas doenças bacterianas, incluindo a tuberculose.

Para diminuir este risco, para além do cumprimento rigoroso das regras básicas de higiene hospitalar, nomeadamente no que diz respeito à lavagem das mãos, é necessário criar barreiras à transmissão destas doenças dentro do hospital. Neste contexto, há que evitar a sobrelotação e criar condições adequadas, mantendo uma distância de segurança entre os doentes.

Por outro lado, para obstar à transmissão de infecções causadas por agentes microbianos multirresistentes a todos os esquemas terapêuticos disponíveis, é preciso recorrer à utilização de quartos de isolamento.

Há que referir que algumas destas doenças infecciosas se transmitem por proximidade e contacto, outras, nomeadamente as doenças infecciosas respiratórias (como a tuberculose), são veiculadas, também, através do ar ambiente. No caso da tuberculose, a multirresistência torna a problemática desta doença ainda mais séria, pois os principais antibióticos utilizados para o tratamento da doença se revelam ineficazes e a sua transmissão através do ar ambiente cria um risco para os doentes e familiares e, ainda, para os profissionais de saúde. Os doentes com tuberculose multirresistente devem ser condicionados a locais restritos e com ventilação adequada, daí a necessidade de quartos de isolamento respiratório.

O Hospital de Santa Maria – Centro Hospitalar Lisboa Norte é um dos poucos hospitais em Portugal com esta dimensão a não ter quartos de isolamento respiratório. As obras a iniciar no piso 4 vão corrigir esta situação, estando prevista a criação de quartos de isolamento respiratório com ventilação forçada (circulação de ar acelerada), concebidos de acordo com os últimos avanços técnicos nessa área.

No piso 5, cuja inauguração está prevista para breve, as obras, agora concluídas, visaram a criação de novas condições para possibilitar a redistribuição dos doentes, identificar espaços para os alunos que frequentam as práticas clínicas das doenças infecciosas e criar quartos individuais para isolamento físico. Assim, estão encontradas as condições para um melhor atendimento e maior conforto dos doentes e um ambiente de trabalho que vai reduzir o risco de transmissão das doenças infecciosas.

Para além das obras, o Serviço vai beneficiar de material de suporte novo e mais moderno (camas, mesas de cabeceira, por exemplo), podendo contar com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian para a aquisição deste material e de equipamento específico de ventilação e de monitorização, destinado aos quartos individuais de isolamento.

O Hospital de Santa Maria – Centro Hospitalar Lisboa Norte, de acordo com a rede de referenciação de infecciologia, é o Hospital que tem mais condições para receber doentes, em que seja necessário garantir o isolamento e controlo apertado da doença, como é o caso das febres hemorrágicas, dispondo de um heliporto e de proximidade do aeroporto internacional, pois estas doenças são essencialmente doenças de importação.

Após as obras, o Hospital de Santa Maria poderá contar, no total, com 6 quartos de isolamento respiratório, dispondo assim de condições adequadas para satisfazer as necessidades da área de influência do Centro Hospitalar Lisboa Norte, tendo, também, em conta a existência de quartos de isolamento respiratório no Hospital Pulido Valente.

O Hospital de Santa Maria – Centro Hospitalar Lisboa Norte, está grato à Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA, pelo importante apoio financeiro que lhe foi dado, para que o projecto dos quartos de isolamento seja uma realidade.

INVESTIGAÇÃO CLÍNICA

O Serviço aposta fortemente na investigação clínica, particularmente no que diz respeito ao tratamento da infecção por VIH/SIDA, sendo actualmente considerado o centro de referência nacional para os ensaios clínicos dos novos medicamentos.

O Serviço não só realiza estudos promovidos pela indústria farmacêutica, mas, também, “estudos do investigador”, envolvendo instituições universitárias e hospitais de referência no ensino médico (hospitais académicos). O Hospital de Santa Maria serve, a maioria das vezes, de centro de referência, em Portugal, destes ensaios clínicos levados à aprovação centralizada da Comissão de Ética para a Investigação Clínica e do Infarmed, tendo em consideração o reconhecimento dado à qualidade do trabalho que o Hospital desenvolve nesta área.

Todas as auditorias externas feitas nesta vertente da investigação têm atribuído, sempre, elevada qualificação. A prova mais recente da elevada qualidade da investigação desenvolvida pelo Serviço é o reconhecimento vindo do Copenhagen HIV Programme, da University of Copenhagen, Faculty of Health Sciences, que realizou, em Fevereiro de 2008, uma auditoria externa no âmbito do estudo STALWART, em que o Serviço de Doenças Infecciosas está envolvido, concluindo que o centro está bem organizado e que o staff médico e de enfermagem é altamente dedicado e comprometido neste estudo.

Remodelação do Serviço de Doenças Infecciosas

Prof. Doutor Francisco Antunes, Director do Serviço de Doenças Infecciosas do Centro Hospitalar Lisboa Norte

O Serviço de Doenças infecciosas está inserido numa vasta rede assistencial, incluindo Centros de Saúde da área metropolitana de Lisboa e Hospitais localizados em cidades da periferia desta cidade.

O Serviço de Doenças infecciosas, para além da prática assistencial, dá apoio à formação pré e pós-graduada, na sua vertente de Serviço Universitário, em articulação estreita com a Clínica Universitária de Doenças Infecciosas, da Faculdade de Medicina de Lisboa. Assim, no ensino pré-graduado, a componente prática da Disciplina de Doenças Infecciosas e de Medicina Tropical decorre nas suas Unidades (de Internamento, de Cuidados Intensivos e de Ambulatório), no ensino pós-graduado os alunos do Mestrado em Doenças Infecciosas Emergentes beneficiam do facto da Faculdade de Medicina de Lisboa e do Centro Hospitalar Lisboa Norte terem estabelecido protocolos de cooperação com os Hospitais Agostinho Neto (Cabo Verde) e Américo Boavida (Angola), os quais facilitam a implementação de projectos de formação e de investigação entre técnicos de saúde e do ensino médico das instituições envolvidas. Neste plano têm sido incluídos estágios clínicos para estudantes e recém-licenciados da Faculdade de Medicina de Lisboa/Centro Hospitalar Lisboa Norte. O Serviço de Doenças Infecciosas tem acolhido estudantes de Medicina do espaço da Comunidade Europeia, através do programa Erasmus, para formação em Infecciologia.


Instalações actuais do Serviço de Doenças Infecciosas


O Serviço de Doenças Infecciosas, tem idoneidade, atribuída pela Ordem dos Médicos para a formação de médicos na Especialidade de Doenças Infecciosas, para além de participar num programa de Especialização em Infecciologia (um a dois novos internos por ano) tem-se disponibilizado, também, para a formação nesta Especialidade de alunos do 6º ano (ano profissionalizante) da Faculdade de Medicina de Lisboa e de internos de outras Especialidades.

Atento à evolução dos tempos e ao risco da ocorrência de novas epidemias, para além da SIDA, da tuberculose e das hepatites, como foi o caso recente da SARS e, actualmente, da pandemia pelo vírus da gripe aviária H5N1 e estando atento à ameaça das doenças infecciosas por microrganismos multi-resistentes e por força, ainda, do determinado pelo documento da Rede de Referenciação Hospitalar de Infecciologia está em fase de modernização das suas Unidades de Internamento, reabilitando-as e criando uma Unidade de Isolamento, para segurança dos doentes e dos profissionais de saúde. Esta obra beneficia do financiamento da Coordenação Nacional para a Infecção VIH-SIDA e da Fundação Calouste Gulbenkian. As obras tiveram início no 1º trimestre de 2007, estando prevista a inauguração das instalações, renovadas, no final do corrente ano.



Depois da conclusão destas alterações estruturais, e dado o empenhamento de todo o pessoal na reformulação do Serviço de Doenças Infecciosas, há que proceder à Certificação da Qualidade, de forma a promover a melhoria do desempenho e uma gestão de qualidade.

Na área da investigação, particularmente na sua componente de investigação clínica, o desempenho do Serviço de Doenças Infecciosas, principalmente no âmbito dos ensaios clínicos de novos tratamentos para a infecção VIH-SIDA, tem justificado a sua qualificação como centro de referência nacional e, nalguns destes projectos, como Centro Coordenador Nacional.

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