Novo Acelerador do Serviço de Radioterapia

O Serviço de Radioterapia do Centro Hospitalar Lisboa Norte dispõe de um novo acelerador da nova geração.


Área de monitorização do acelerador gerida e controlada por técnicos especializados do Centro Hospitalar Lisboa Norte

A evolução da radioterapia tem sido tão rápida nos últimos anos, que quase todos os anos têm saído novas tecnologias. Este novo acelerador vem responder à necessidade de uma constante actualização, em termos de tecnologia, por parte deste Serviço, para fazer face aos novos desafios colocados no campo da radioterapia.

Trata-se de um acelerador moderno com acesso a técnicas de maior precisão, nomeadamente a radioterapia conformacional 3D e a radioterapia de intensidade modulada, dispondo de uma tecnologia mais sofisticada como a imagem portal de silício amorfo que permite uma correcção diária mais precisão do campo de tratamento. O antigo equipamento de radiocirurgia será substituído muito brevemente por uma tecnologia mais moderna, que deverá funcionar neste novo acelerador.


Imagens da nova divisão que acolhe este acelerador de última geração

De acordo com as palavras entusiastas da Directora do Serviço, existe um projecto de alargamento muito ambicioso, que conta com a concordância do Conselho de Administração. O projecto consta da substituição dos dois aceleradores lineares mais antigos, por aceleradores da nova geração que incluem mecanismos que permitem corrigir com maior sofisticação o campo de irradiação, através de um processo de kilo ou megavoltagem acoplado ao acelerador. A aquisição destes novos aceleradores representa um grande avanço no tratamento do cancro porque permite fazer um campo pequeno limitado ao tamanho e à forma do tumor. Estes aceleradores são sobretudo importantes na irradiação de tumores situados junto a órgãos com alguma mobilidade. Permite todos os dias com, muita facilidade, através de uma CT ou outro processo, corrigir o campo de irradiação de acordo com a movimentação diária do tumor.

Dado o aumento do número de doentes referenciados ao Serviço, deverá ainda ser instalado um quarto acelerador que poderá corresponder a tecnologias completamente diferentes, mais diferenciadas, como por exemplo a instalação de 1 tomoterapia, ou mesmo de um cyberknife evitando assim a deslocação de doentes com patologias mais raras ao estrangeiro.

O novo acelerador em demonstração

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O Serviço de Radioterapia aqui trazido pela sua Directora, Prof. Doutora Isabel Monteiro Grillo

Profª. Doutora Isabel Monteiro Grillo, Directora do Serviço de Radioterapia do Centro Hospitalar Lisboa Norte

A Profª. Doutora Isabel Monteiro Grillo, Directora do Serviço de Radioterapia do HSM, desde 1994, num primeiro olhar ao Serviço que dirige começou por nos dizer: «A radioterapia foi a primeira especialidade oncológica no mundo, reconhecida em 1920. A sua principal indicação é a doença maligna, no entanto, nos últimos anos alargou o seu campo de actuação a determinadas doenças benignas com resultados muito prometedores. Além da radioterapia externa, onde a fonte de irradiação está colocada à distância do tumor, existe outra forma de tratamento: a braquiterapia, que actua através da utilização de isótopos radioactivos colocados dentro do próprio tumor, ou na sua proximidade. A braquiterapia é extremamente eficaz e tem essencialmente duas grandes vantagens derivadas das propriedades físicas do material radioactivo que utiliza: maior conformação da dose no tumor com maior decaimento à sua periferia, resultando um índice terapêutico mais elevado». E a Professora sublinhou: «O tratamento da braquiterapia não é passível de ser feito em todas as áreas do corpo, e, de uma forma geral, a braquiterapia é utilizada como terapêutica única em situações pontuais, sendo geralmente associada à radioterapia externa».

Novo Acelerador Linear

Foi inaugurado no passado dia 2 de Julho de 2007 um novo Acelerador Linear no Serviço de Radioterapia. Este equipamento, que pertence a uma geração mais moderna, corresponde a uma franca melhoria na assistência aos doentes oncológicos. Tendo como causa principal os constrangimentos e burocracias da Administração Pública, e porque também se verificaram alguns problemas ocorridos na instalação do aparelho, o processo arrastou-se no tempo, prejudicando, naturalmente, o desempenho do Serviço de Radioterapia.
Mas ultrapassados que estão os problemas, a Professora observou: «A instalação deste novo aparelho representa um salto qualitativo e quantitativo no tratamento dos nossos doentes. Este aparelho possui uma tecnologia mais evoluída que os anteriores e dá acesso à realização de técnicas mais complexas, logo mais eficazes em algumas patologias. O Acelerador Linear está equipado com um colimador de oitenta e duas lâminas, permitindo colimar com maior precisão o campo de irradiação e melhor proteger os órgãos sãos, o que naturalmente em algumas patologias representa um grande avanço e uma melhoria na qualidade dos tratamentos. Também o controlo de qualidade está facilitado e melhorado, dado possuir um sistema de imagem portal de silício amorfo com visualização mais nítida da imagem do campo de irradiação, permitindo comparar diariamente o campo de irradiação com a radiografia digital reconstruída (DRR) inicial. É possível, assim, efectuar com um maior grau de certeza a correcção diária do tratamento, abrindo caminho às técnicas mais sofisticadas como a Intensive Modulated Radiotherapy (IMRT) e a Intensive Modulated Arc Therapy (IMAT).

Primeiro Olhar ao Serviço de Radioterapia do CHLN

O Serviço de Radioterapia, atendendo ao tipo de patologias que a ele acorrem, carece de um constante acompanhamento a todos os níveis: científico; tecnológico; humano; espaço físico, e tantos outros recursos.
Com a instalação do novo equipamento, será que ficaram criadas as condições julgadas minimamente optimizadas no Serviço de Radioterapia do Hospital de Santa Maria? Foi exactamente esta a questão que colocámos à Directora do Serviço. A resposta da Profª. Doutora Isabel Monteiro Grillo foi peremptória: «Não. Infelizmente, os problemas do Serviço ainda estão longe do fim. Porquê? Porque numa primeira fase é urgente proceder à substituição dos dois Aceleradores Lineares mais antigos que há muito ultrapassaram o seu tempo de vida útil. Depois, também é do mesmo modo urgente a realização de obras de beneficiação do espaço interior.

A Directora do Serviço de Radioterapia do HSM afirmou-nos que a Radioterapia, tratando-se da especialidade médica que a seguir à Cirurgia, maior taxa de cura apresenta nas patologias oncológicas, tem sido muito pouco acarinhada pela Tutela

Foi uma das áreas que, como é natural, se degradou bastante nestes últimos anos. Por outro lado, é absolutamente necessário e não menos urgente aumentar a capacidade de atendimento, isto porque temos um enorme volume de doentes referenciados de outros hospitais. Paralelamente a todas essas carências, estamos ainda confrontados com o gravíssimo problema da falta de recursos humanos especializados, o que condiciona em muito a produtividade do Serviço». Mas este assunto foi-nos explicado pela Profª. Doutora Isabel Monteiro Grillo: «Na base da falta de médicos especialistas na área da Radioterapia está a abertura de Centros privados sem uma estratégia a nível nacional. Como é do conhecimento geral, Portugal confronta-se com falta de médicos, essa carência verifica-se sobretudo nalgumas especialidades, e dentro delas está precisamente a Radioterapia. Com o nascimento dos Centros privados, assistimos a uma saída importante – especialmente na zona Sul – de profissionais especializados, o que veio criar situações de crise em muitos Serviços públicos de Radioterapia».

Segundo Olhar ao Serviço de Radioterapia do HSM

Nesta fase da conversa e em face das observações deixadas pela Directora do Serviço, entendemos pertinente voltar a questionar a Prof.ª Doutora Isabel Monteiro Grillo se, com a instalação do novo Acelerador Linear, o qual se traduz num elevadíssimo investimento, o Serviço não ficou capaz de responder não só aos dias de hoje como aos dias de amanhã. «Devo dizer-lhe que o Serviço se debate há muitos anos com o problema do sub-financiamento. O Hospital de Santa Maria, provavelmente por ser um Hospital Geral e Universitário, foi votado ao “esquecimento” no que respeita à instalação de equipamentos. Em Portugal, a Radioterapia tem sido uma especialidade médica muito pouco acarinhada pela Tutela, o que me leva a dizer-lhe que não tem existido a devida percepção para a importância da especialidade, quando estamos a falar no tratamento do cancro». E sublinhou: «É importante que se entenda que a Radioterapia é, a seguir à Cirurgia, a terapêutica mais eficaz, e a sua intervenção está presente em cerca de quarenta por cento da cura de doentes oncológicos». E prosseguiu: «Neste momento existe um projecto para reorganizar e expandir o Serviço, o que nos permitirá aumentar e melhorar a capacidade de assistência e de forma pronta responder às necessidades dos doentes do Serviço Nacional de Saúde. Não tenho a menor dúvida em afirmar-lhe que o investimento que está previsto será altamente representativo no desenvolvimento do Serviço, o que me leva a estar muito grata ao actual Conselho de Administração que entendeu a importância da Radioterapia não só para o Hospital de Santa Maria como para o País, sabendo ainda transmitir à Tutela a necessidade de fazer deste Serviço um centro de referência». Sem ser interrompida, a Professora fazia fluir as suas palavras: «O projecto de reorganização do Serviço compreende, para além das obras de ampliação e beneficiação dos espaços, a aquisição de quatro novos aceleradores de última geração equipados com o sistema de radioterapia guiada por imagem, com incorporação de CT (Cone Beam) nos próprios aparelhos, o que vai permitir modificar diariamente o campo de irradiação de acordo com a movimentação dos órgãos. Paralelamente, está contemplada a actualização da rede informática de transmissão, registo e verificação de dados para integração dos novos equipamentos de terapia; a aquisição de novos softwares de planeamento munidos de algoritmos mais avançados que produzem distribuições de doses homogéneas e altamente “conformacionadas” aos volumes alvo com exposição minimizada dos órgãos em risco. Por fim, está ainda prevista a compra de material para tratamento estereotáxico do corpo e da cabeça».

A Profª Doutora Isabel Monteiro Grillo mostrou-se reconhecida ao Conselho de Administração que “Entendeu a importância da Radioterapia não só para o Hospital de Santa Maria como para o País”

E a atenção da Prof.ª Doutora Isabel Monteiro Grillo voltou a centrar-se nos equipamentos de que dispõe o Serviço: «Conforme lhe disse, o Serviço conta, para além do novo acelerador, com dois Aceleradores Lineares já muito antigos que têm necessariamente que ser substituídos, mas por outro lado, dispomos já de um de equipamento moderno de braquiterapia de alta taxa de dose, munido de um moderníssimo software de planeamento tridimensional, preparado para tratar os tumores ginecológicos e outros, mas especialmente direccionado para a braquiterapia prostática, que é uma patologia emergente no Serviço e cujos bons resultados terapêuticos nos indicam que vai aumentar a sua referenciação». E frisou: «Fomos o primeiro Serviço a iniciar esta técnica no País, há cerca de três anos, e já detemos uma experiência considerável».
Ainda de acordo com a Profª. Doutora Isabel Monteiro Grillo, ao longo do ano de 2006 foi instalada no Serviço de Radioterapia a Rede Lantis, que veio melhorar consideravelmente o workflow dos tratamentos; uma TC multicorte especialmente vocacionada para a simulação dos tratamentos, e ainda o Acelerador Linear, de que demos conta no início desta notícia.

A Radioterapia e a sua dependência de avultados investimentos em equipamentos

O século XX ficou marcado pelas mudanças registadas no denominado mundo ocidental, sendo que essas mudanças incidiram sobretudo nas áreas tecnológicas. E na Radioterapia, enquanto ciência médica inteiramente submetida às novas tecnologias, o que mudou? Foi com esta pergunta que terminámos a entrevista à Prof.ª Doutora Isabel Monteiro Grillo. «De facto ninguém pode ignorar as profundas alterações registadas em todo o mundo ocidental ao longo do século XX, sobretudo nos últimos dez anos, na área da Radioterapia. Atrevo-me mesmo a dizer que desde a descoberta do RX, em 1895, poucas especialidades conheceram tão rápidas transformações como a Radioterapia, beneficiando hoje de uma complexidade de conhecimentos médicos, físicos, informáticos e tecnológicos. Os Radioterapeutas portugueses e todos os profissionais que se dedicam a esta especialidade souberam acompanhar com interesse a sua evolução científica através da aquisição atempada de novos conhecimentos, no entanto, a dependência desta especialidade no que concerne à aquisição de equipamentos de alta tecnologia, que exige um grande investimento público inicial, aliada a uma incapacidade de facturação adequada por parte dos hospitais públicos, contribuiu, no passado, para uma desertificação de recursos humanos e técnicos e a uma incapacidade de acompanhar os progressos verificados nos países mais desenvolvidos». E a Profª. Doutora Isabel Monteiro Grillo terminou assim a sua análise ao Estado da Arte da Radioterapia em Portugal: «Existiram, porém, outros factores ligados à oncologia em geral, que não vou agora realçar para não me alongar demasiado, mas que muito contribuíram para a falta de equipamentos nos hospitais públicos, sobretudo os que não são hospitais dedicados à oncologia em exclusividade». E concluiu: «Uma vez que estamos a iniciar o século XXI, é absolutamente necessário introduzir mudanças profundas na forma de conceber e organizar a Radioterapia em Portugal. Actualmente existe um plano de expansão da Radioterapia que prevê a construção de Centros em Unidades Hospitalares Públicas com vista a uma cobertura nacional adequada, prevendo-se que para dez milhões de habitantes sejam necessários sessenta Aceleradores, todavia não podemos esquecer o aumento da esperança de vida dos portugueses e o aumento da incidência do cancro para os próximos anos, estimando-se o aparecimento de quatro mil novos casos por ano e por milhão de habitantes». Quanto à sua taxa de crescimento, atente-se às palavras da Directora do Serviço de Radioterapia do Hospital de Santa Maria: «Entre 2007 e 2017, prevemos uma taxa de crescimento anual de um e meio por cento, o que me leva a afirmar que estamos perante um quadro que obedece à criação de prementes necessidades, a curto e longo prazo, a nível do País».

“Uma vez que estamos a iniciar o século XXI, é absolutamente necessário introduzir mudanças profundas na forma de conceber e organizar a Radioterapia em Portugal”, esta uma afirmação a reter deixada pela Profª. Doutora Isabel Monteiro Grillo

Mas mesmo com limitações, olhemos agora para os números correspondentes ao ano de 2006

  • Novos doentes: 1200;
  • Tratamentos de Radioterapia Externa: 85.640;
  • Tratamentos de Braquiterapia: 360;
  • Total de Consultas: 9.488.

Staff do Serviço de Radioterapia do Hospital de Santa Maria:

  • 4 Médicos Especialistas (incluindo a Directora do Serviço);
  • 3 Físicos Hospitalares;
  • 3 Técnicos Dosimetristas;
  • 18 Técnicos;
  • 3 Enfermeiros.

Texto de: Carlos Gamito

Inauguração do Novo Acelerador Linear

Serviço de Radioterapia

O Serviço de Radioterapia do Centro Hospitalar Lisboa Norte acaba de ser equipado com um moderno Acelerador Linear.

Num momento de informalidade, a zona onde ficou instalada a nova unidade foi visitada pelo Conselho de Administração do CHLN e por membros da administração da Siemens Medical Solutions.

A Profª. Doutora Isabel Monteiro Grillo, Directora do Serviço de Radioterapia, acentuou que o novo Acelerador vem dar resposta parcial às necessidades do Serviço, isto porque a lista de espera de doentes referenciados de outros hospitais é muito grande, pelo que se torna urgente a substituição dos dois aceleradores em utilização e que já ultrapassaram o seu tempo de vida útil. Mas brevemente publicaremos uma entrevista de fundo onde a Professora Doutora Isabel Monteiro Grillo aborda pormenorizadamente o estado do Serviço.

Os recursos e potencialidades do novo equipamento foram apresentados através de um tratamento prestado a um doente do foro oncológico.

Serviço de Radioterapia

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