Centro Hospitalar Lisboa Norte inaugurou o Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica

Actualização: Julho 2008

O Centro Hospitalar Lisboa Norte, que integra dois dos maiores e mais diferenciados Hospitais do País – Hospital de Santa Maria e Hospital Pulido Valente – inaugurou, no passado dia 30 de Maio de 2008, um dos pilares mais importantes da sua organização: O Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica.
À data da fundação do Hospital de Santa Maria (1954), a terapêutica farmacológica tinha muito pouca expressão, o que levou à não projecção de um Serviço de Farmácia. Todavia, com o início de actividade da Instituição, foi imediatamente sentida a sua necessidade, o que obrigou à criação de espaços dispersos entre si e que com a passagem dos anos se mostraram incapazes de responder condignamente à evolução dos cuidados de saúde prestados no Hospital de Santa Maria.
Chegado o ano de 2001, foi decidido desenvolver um projecto de engenharia que visasse a construção de raiz de um verdadeiro Serviço Farmacêutico.
Os anos foram-se sucedendo e os constrangimentos nas respostas por parte do Serviço de Farmácia iam-se avolumando.
Em 2006, é deliberado, pelo actual Conselho de Administração do Hospital, dar corpo à obra da criação do agora inaugurado Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica.
A cerimónia que assinalou a inauguração deste novo Serviço, presidida por Sua Excelência a Senhora Ministra da Saúde, Dra. Ana Jorge, decorreu na Aula Magna da Faculdade de Medicina de Lisboa e foi participada por mais de três centenas de individualidades do sector da Saúde.

“Estas novas instalações vêm permitir colmatar as eternas lacunas na armazenagem e distribuição de medicamentos”

A Dra. Piedade Ferreira, Directora do Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica, depois de apresentar cumprimentos a todos os presentes, aludiu: «Não vou repetir o historial de dificuldades, mas também de muitos sucessos, que ao longo dos anos temos conhecido. São situações que estão bem explicitas na apresentação (diaporama) a que acabámos de assistir, no entanto, quero aproveitar este momento para salientar que a Farmácia do Hospital de Santa Maria sempre se destacou em áreas que dependem unicamente da competência, vontade e abnegação dos seus profissionais, tendo sido pioneira nas áreas de Farmácia Clínica e Nutrição Parentérica, neste caso em articulação com a Comissão de Nutrição e Farmacocinética Clínica, diferenciação que tem motivado a procura frequente do nosso Serviço por colegas de outros hospitais nacionais e internacionais, bem como o envolvimento em vários estágios de pré e pós-graduação de Universidades Públicas e Privadas». Noutra passagem do seu discurso, a Dra. Piedade Ferreira sublinhou: «A oportunidade decorrente destas novas instalações vem permitir colmatar as eternas lacunas na área de armazenagem e distribuição de medicamentos, permitindo-nos, finalmente, a possibilidade de nos mostrarmos também como uma referência no sector da Farmácia Hospitalar». Ainda antes de terminar, a Directora do Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica acentuou: «Com estas novas instalações, o Centro Hospitalar Lisboa Norte dispõe, finalmente, de uma Farmácia que se pode igualar às melhores em termos de dimensão, layout, qualificação técnica e moderna tecnologia, dignificando o Centro Hospitalar e solidificando todo o prestígio que lhe é reconhecido, sendo que o agora inaugurado Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica fica apto a percorrer o caminho necessário para a sua Certificação. Assim, ficará inegavelmente gravada na história do Serviço a marca de um Conselho de Administração que tornou possível a realização deste grande projecto, durante tantos anos prometido e considerado imprescindível, mas nunca realizado. Em meu nome pessoal e de todos os colaboradores do Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica, quero agradecer ao Conselho de Administração presidido pelo Senhor Dr. Adalberto Campos Fernandes, ter tornado possível este nobre momento».
E as últimas palavras da Dra. Piedade Ferreira foram de reconhecido agradecimento a todos os seus colaboradores que se têm mostrado inexcedíveis na ultrapassagem dos constantes desafios com que todos têm sido confrontados, incluindo a Administradora de Área, Dra. Rute Reis, cuja ajuda tem sido crucial não só na área da gestão, mas também na equação das melhores soluções em muitas outras áreas.

Palavras dos mais altos responsáveis e o anúncio da entrega da medalha de mérito à Dra. Piedade Ferreira

A Senhora Ministra da Saúde, Dra. Ana Jorge, apesar de afectada por um visível estado gripal, ainda agradeceu a todos o empenho no trabalho desenvolvido que culminou na inauguração do importante Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica.
O Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Dr. Francisco Ramos, em nome do Ministério da Saúde, enalteceu o trabalho desenvolvido pelos farmacêuticos, frisando que o medicamento é uma via para oferecer excelentes cuidados de saúde às populações.
De acordo com as palavras deste alto responsável governamental, “a utilização do medicamento, enquanto peça para a saúde, continua a provocar uma acentuada despesa pública, no entanto, sabemos que existe espaço e condições para uma boa gestão”, afirmou.
Ainda segundo o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, são gastos vinte a vinte e cinco por cento do orçamento das Instituições de Saúde, no entanto, adiantou que no final do próximo Verão estará disponível uma aplicação informática capaz de oferecer condições optimizadas de trabalho a todas as Comissões do Medicamento.
E o Dr. Francisco Ramos terminou a afirmar que o Serviço Farmacêutico do Centro Hospitalar Lisboa Norte tem hoje melhores condições físicas e técnicas para dar resposta aos incentivos sempre disponibilizados pelo Ministério da Saúde.
Por seu turno, o Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte, Dr. Adalberto Campos Fernandes, na sua breve alocução salientou que tem sido feito um esforço considerável para cumprimento das responsabilidades do Conselho de Administração, e terminou a anunciar a entrega da medalha de mérito à Dra. Piedade Ferreira.

Após a cerimónia seguiu-se uma visita às novas instalações do Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica.







Progressos no projecto da nova Farmácia Hospitalar

Kardex

Encontram-se actualmente colocados nas futuras instalações da Farmácia do Centro Hospitalar de Lisboa Norte – Hospital de Santa Maria, dois equipamentos de distribuição automatizada: o Kardex horizontal e o Kardex vertical.

O Kardex horizontal vai ter uma dupla utilização. Por um lado funcionará como um equipamento de armazenamento da maioria dos medicamentos (cerca de 85%) existentes na Farmácia. Deste modo, será possível a sua concentração num só local, garantindo o acesso aos mesmos apenas aos utilizadores autorizados, através da atribuição de password. O armazenamento no Kardex permitirá ainda uma gestão de stocks perfeitamente informatizada.
Por outro lado, terá funções de distribuição, com grandes vantagens em termos de aviamento dos pedidos. De facto, este equipamento vai permitir a reposição simultânea de 6 serviços quer se trate da satisfação de pedidos de serviços que dispõem de equipamentos de distribuição automatizada Pyxis, quer de reposição por stocks nivelados. A escolha dos serviços a agrupar por cada aviamento dependerá essencialmente da semelhança de medicação, a fim de rentabilizar o processo.

Para melhor se perceberem as potencialidades do sistema, tomemos como exemplo o aviamento relativamente a um serviço com Pyxis, distribuidores automatizados que permitem a retirada da medicação só após prescrição médica, validação pelo farmacêutico e identificação do enfermeiro através de biometria.
Quando o stock chega ao nível mínimo, previamente definido, o equipamento emite automaticamente um pedido de reposição enviado à Farmácia. Este pedido vai ser comunicado, por via informática, ao Kardex horizontal. Este último vai permitir juntar os pedidos de 6 serviços, como já referido, indicando ao utilizador, através de um sinal luminoso, a localização de um determinado fármaco e, no ecrã do computador, a quantidade necessária para cada serviço. O medicamento retirado é posto no tabuleiro respectivo, também indicado por um sinal luminoso, numa passadeira, cada tabuleiro correspondendo a um serviço.

Trata-se de uma grande revolução relativamente ao sistema de “picking” actual, segundo o qual os técnicos de diagnóstico e terapêutica, com uma lista de reposição, vão circulando por várias salas para juntarem os fármacos a entregar num determinado serviço, e assim sucessivamente ao longo do dia, para satisfazerem sequencialmente os vários pedidos de reposição. Os ganhos de eficiência esperados com este novo sistema são, portanto, notáveis.

O Kardex horizontal permitirá também a reposição dos stocks nivelados nos serviços que não têm equipamentos Pyxis ou dose unitária, ou seja, stocks de fármacos de prescrição livre, que representam cerca de 70% do consumo de cada serviço e para os quais foi definido um stock mínimo e máximo em função do consumo médio registado no ano anterior.

Actualmente a enfermagem envia à Farmácia um impresso com a lista de fármacos incluídos nos stocks nivelados do serviço, indicando a quantidade requisitada. Com o novo sistema, será preenchido um pedido informático, directamente transmitido ao Kardex. O sistema de reposição por stocks nivelados irá desaparecendo, à medida que mais serviços forem dispondo de equipamentos Pyxis ou forem seleccionados para distribuição individualizada diária em dose unitária.
O Kardex horizontal vai, portanto, ficar programado para 3 funções:
1. Armazenamento, com enchimento de todo o medicamento que vem do exterior, em duas sessões diárias.
2.  Reposição dos Pyxis
3.  Reposição dos serviços com stocks nivelados.

Os utilizadores que terão acesso ao Kardex são os Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica tanto para o enchimento como para o aviamento e os Farmacêuticos, essencialmente para aviamento em horário de urgência, sendo necessária a identificação com password para movimentar o equipamento.

O novo sistema baseado no Kardex horizontal está presentemente a ser testado na parte do interface, e a mudança dos sectores de distribuição e de aquisição e gestão de stocks para as novas instalações no piso 01 ocorrerá a 12 e 13 de Abril de 2008.

Uma vez terminada a mudança, o Kardex horizontal do Centro Hospitalar de Lisboa Norte será o primeiro a funcionar em Portugal e o maior na Península Ibérica, tendo em conta que disporá de três carrosséis, enquanto que os que já existem só têm dois.



A distribuição individualizada diária em dose unitária, por seu turno, vai ser feita através do Kardex vertical, o qual está devidamente estruturado para o efeito, dispondo de “gavetas” dimensionadas para doses individualizadas.

De acordo com a Dra. Piedade Ferreira, Directora do Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica, a utilização dos 2 Kardex vem agilizar o processo de distribuição de medicamentos, o que vai permitir a sua disponibilização mais atempada e a libertação de tempo para se estabelecerem relações mais estreitas entre técnicos e enfermeiros, uma maior proximidade entre farmácia e serviços, sendo assim possível desenvolver um trabalho mais próximo do doente.

Por outro lado, a generalização da prescrição on-line, para além de facilitar o trabalho ao nível da distribuição e controlo dos fármacos, dará maior possibilidade de intervenção ao farmacêutico, até agora mais concentrada na área dos antimicrobianos, permitindo a análise do perfil fármaco-terapêutico do doente na sua totalidade.

Seguidamente a esta mudança terá lugar, muito brevemente, a do armazém de soros para o piso 01 das novas instalações e o regresso do sector da Farmácia de Ambulatório ao seu lugar original no piso 1.

O projecto de reorganização logística do Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica também inclui a mudança da área técnica dos laboratórios, actualmente no piso 7, para o piso 1 das novas instalações, o que ocorrerá até ao fim do primeiro semestre de 2008. 

Nova embaladora

Para além dos equipamentos de armazenamento e distribuição Kardex, a Farmácia adquiriu uma nova máquina de reembalagem de medicamentos, que está a ser formatada rótulo a rótulo com a ajuda de um farmacêutico.

Esta nova aquisição vai permitir reduzir os custos e o desperdício de medicamentos, pois a máquina permite a reembalagem dos fármacos para a unidose, sem que os mesmos sejam retirados dos blisters, o que significa que o prazo de validade dos medicamentos é o indicado pelo fabricante, e não 6 meses, que é o prazo normalmente dado aos medicamentos no caso de serem retirados da embalagem original.

Esta nova máquina apresenta também uma maior flexibilidade no processo de reembalagem relativamente à máquina existente no Serviço, cujos canisters precisam de ser calibrados de acordo com a marca do medicamento, procedimento bastante moroso e que dificulta o recurso a outros fornecedores, mesmo em caso de ruptura de stocks.



Estado Actual das Obras de Construção da Nova Farmácia Hospitalar








estado actual das obras de construção da nova farmácia hospitalar

Nova Farmácia Hospitalar

Já tiveram início as obras da nova Farmácia Hospitalar do Hospital de Santa Maria. Uma obra de enorme relevo, desejada há muito e mesmo pioneira em alguns aspectos.

Falámos com a Dra. Piedade Ferreira, Directora do Serviço de Gestão Técnico-Farmacêutica (SGTF) sobre toda esta "revolução" em curso.

«Em primeiro lugar, é muito importante dizer que após cinquenta e dois anos de existência, vai ser construída uma verdadeira Farmácia, erigida de raiz e de acordo com as normas exigíveis pelas Boas Práticas da Farmácia Hospitalar. De facto, quando o Hospital foi construído, não se projectou, nem se pensou na existência de uma Farmácia Hospitalar dentro da sua estrutura, pelo que ao longo dos anos e com o desenvolvimento de novas actividades, foram sendo ocupados espaços alternativos que dispersam as actuais instalações por 4 pisos distintos», começou por dizer a Dra. Piedade Ferreira e acrescentou: «É com muita satisfação e entusiasmo que se acompanha diariamente o crescimento desta obra. Havia, de início, algum descrédito quanto à sua realização. As muitas promessas de sucessivas administrações, sobre esta obra fundamental, nunca se concretizaram e isso deixou-nos obviamente cépticos, ao longo de tantos anos.







Obras de contrução da nova Farmácia Hospitalar

Do ponto de vista da gestão, os circuitos existentes não são funcionais, colocando-nos enormes dificuldades de gestão de recursos económicos e humanos e o layout das actuais instalações tem mesmo impedido o seguimento adequado de algumas regras de Boas Práticas, nomeadamente na área da distribuição de medicamentos.

De facto, a Farmácia do Hospital de Santa Maria (HSM) foi pioneira na introdução e prática da Farmácia Clínica em Portugal e nas áreas de Nutrição Parentérica e Farmacocinética Clínica, constituindo ainda hoje as duas últimas, pólos de atracção de muitos colegas de outros hospitais, que nos solicitam com frequência estágios nestas áreas. Em contrapartida, a área da distribuição tem sido deficitária no cumprimento da distribuição individualizada diária de medicamentos, tendo sido feito um grande esforço, no último ano, para ir colmatando esta deficiência. Há contudo que realçar, que já existem há alguns anos muitos medicamentos que são fornecidos individualmente, embora não em dose unitária, de acordo com políticas próprias de utilização, nomeadamente os antimicrobianos, tendo sido o Hospital de Santa Maria pioneiro na implementação de regras para utilização destes fármacos e sendo, a meu ver, dos hospitais em que o seu uso é mais racional.

Por outro lado e independentemente das novas instalações, foi iniciado no último trimestre de 2006, um grande projecto de alteração do método de distribuição de medicamentos, através da colocação em alguns Serviços Clínicos, de equipamentos de distribuição automatizada (PYXIS), os quais ligados à prescrição “on line” permitem ultrapassar os problemas tradicionalmente associados à distribuição individualizada diária em dose unitária, como sejam as demoras na chegada da medicação aos serviços, ocorrência frequente de devoluções, bem como o elevado número de recursos a envolver.

A medicação está sempre disponível nos serviços, como "stock avançado" da Farmácia, sendo o seu acesso só possível após a prescrição do médico e a validação pelo SGTF. O controlo integral do circuito do medicamento termina com o registo das administrações, efectuadas pelos Enfermeiros, no sistema informático.

Na nova Farmácia será possível terminar o projecto de reformulação da distribuição de medicamentos, bem como reorganizar toda a área de armazenamento, através da sua robotização, com a colocação de um KARDEX vertical e outro horizontal. Daqui resultará uma maior eficiência na gestão do stock, um aumento da segurança (conservação, dispensa e caducidade) e uma simplificação de circuitos.
O KARDEX horizontal será o primeiro a ser instalado em Portugal.

Também na área dos Ensaios Clínicos, na qual a participação do SGTF é obrigatória por lei, vai haver uma melhoria muito significativa. Vai finalmente ser possível acompanhar toda a investigação em curso no HSM, com todas as condições técnicas necessárias e dar resposta adequada neste sector, que irá contar com espaço próprio.
Em pleno século XXI, o SGTF enfrenta uma mudança de paradigma: "Transformação de um Serviço Farmacêutico baseado na distribuição de medicamentos tradicional num Serviço Farmacêutico baseado nos cuidados farmacêuticos", como estrutura de suporte à actividade assistencial e à gestão».







Planta das futuras instalações da nova Farmácia Hospitalar









Evolução das obras, e da estrutura circundante

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