A óptica actual de gestão empresarial torna cada vez mais evidente a necessidade de consolidação de um modelo de gestão que controle os custos e melhore a qualidade da prestação dos Serviços . É deste contexto de racionalidade económica e de gestão por objectivos e por indicadores de desempenho, que surge a razão da existência dos centros de Responsabilidade.
O Conselho de Administração do Hospital de Santa Maria colocou o desafio da criação de Centros de Responsabilidade aos Serviços de Cirurgia Cárdio-Torácica, Ortopedia e Radioterapia.
No sentido de obtermos mais informações, solicitámos ao Prof. Doutor Jacinto Monteiro, Director do Serviço de Ortopedia, que nos elucidasse sobre esta nova realidade.
De acordo com as suas palavras, «Os Centros de Responsabilidades (CR) correspondem a Unidades de Gestão autónoma dentro da estrutura hospitalar e o Conselho de Administração entendeu propor a três serviços neste hospital, entre os quais a Ortopedia, que entrassem nesse sistema de gestão. Entrámos oficialmente no princípio do ano, e esta nova circunstancia vai permitir-nos praticar a gestão de uma forma mais integrada, aproveitando e potenciando os recursos disponíveis.»
Na continuação deste raciocínio disse-nos que: «O que está subjacente aos CR é a existência de um trabalho por objectivos e de uma produção acrescida além do contrato programa. Nós temos um Contrato Programa, que assinámos com a Instituição e que vamos ter que cumprir como qualquer outro Serviço.»
Pretende-se que, com essa produção acrescida, o Serviço no conjunto de todos os seus profissionais, possam vir a ter igualmente algum benefício suplementar. Ganha não só a Instituição mas também o próprio Serviço, e esse ganho pode repercutir-se quer em acções de formação, quer numa retribuição financeira maior ou noutro tipo de iniciativas. Aqui caberá à equipa gestora ser criativa e mobilizadora envolvendo todo o conjunto.
Este modelo de gestão intermédio, é aliciante para Unidades mais pequenas e contempla estas possibilidades.
Como é que esta realidade tem sido desenvolvida no Serviço de Ortopedia?
«O Centro de Responsabilidade de Ortopedia, ironizando um pouco com o facto de esta ser uma área que trata do aparelho locomotor, nasceu “um bocadinho coxo”, porque na realidade aquilo que é nosso centro nevrálgico – bloco operatório- tem uma capacidade instalada diminuída à partida em consequência de termos de partilhá-lo com o Serviço de Neurocirurgia. Esse é um facto que não está a acontecer com os outros CR – Serviços de Cirurgia Cárdio-Torácica e de Radioterapia – onde estes problemas logísticos não se colocam.»
Para o Prof. Doutor Jacinto Monteiro, «A grande questão que se coloca é saber como é que vamos compatibilizar uma contradição aparente: apesar da diminuição dos períodos de cirurgia ao nível do Bloco Operatório de Ortopedia, temos que realizar um aumento de produção, motivo pelo qual estamos a tentar aproveitar ao máximo os tempos cirúrgicos. Inclusivamente para minimizarmos o “deficit” no nosso Bloco habitual, estamos a rentabilizar o Bloco da Urgência Central.»
«Digamos que este ano, que é o de arranque deste Centro aqui no Hospital, é um ano complexo e difícil, nomeadamente em toda a área cirúrgica, porque a capacidade cirúrgica está diminuída em 30% durante um largo período do ano. E esse facto condicionará grandemente a nossa meta de atingirmos satisfatoriamente os objectivos desejados. No entanto, pensamos poder evoluir progressivamente para este modelo que se constrói também com uma aprendizagem vivida no terreno que nos permita monitorizar o Serviço permanentemente.»
Não querendo finalizar sem deixar uma nota de esperança sobre a evolução futura desta Unidade de Gestão, o Director do Serviço de Ortopedia afirmou-nos: «Pensamos que o ano de 2008 irá ter uma evolução muito mais favorável, depois de o Bloco de Ortopedia deixar de ser partilhado e poder ser aproveitado e rentabilizado totalmente pelo Serviço.»
O Director deste Serviço, em resposta à questão de que o Serviço de Ortopedia terá um grande desafio à sua frente, finalizou afirmando:
«Sim, este constitui realmente um grande desafio. Conceptualmente é um desafio extremamente aliciante. Por gozarem de autonomia, que é dada pelo próprio Conselho de Administração, os CR são confrontados com uma nova realidade, que lhes permitirá evoluir positivamente ao nível da gestão, afirmando-se como Unidades mais funcionais. Por outro lado, permitem motivar e premiar desempenhos fixando profissionais numa lógica integrada e adaptável à realidade de cada instituição.»
«Acreditamos que o futuro poderá ser promissor porque estas Unidades Autónomas de Gestão, de nível intermédio, como são as Unidades de Saúde Locais e os Centros de Responsabilidade ao nível da gestão Hospitalar, estão baseados em modelos que estão testados e que podem ser replicáveis, com bons resultados. Pessoalmente estou bastante crente nisso!»  |