Inauguração das Novas Instalações do Serviço de Neurocirurgia

No dia 8 de Dezembro de 2008, no âmbito das comemorações do 54º Aniversário do Hospital de Santa Maria, procedeu-se à inauguração das novas instalações da Unidade de Cuidados Intensivos e do Bloco Operatório do Serviço de Neurocirurgia do Centro Hospitalar Lisboa Norte, situadas no Piso 9.

Continua, assim, a implementação do plano estratégico da Unidade do Hospital de Santa Maria que visa tornar o Centro Hospitalar Lisboa Norte num moderno Centro de referência, a nível nacional e internacional, de desenvolvimento das Ciências Médicas.


Unidade de Cuidados Intensivos (UCI)

Após obras de expansão e remodelação, a nova UCI de Neurocirurgia encontra-se agora dotada de todas as infra-estruturas necessárias e dos equipamentos mais actuais existentes no mercado, criteriosamente escolhidos para a adequar a padrões elevados de desempenho.

A UCI dispõe de 9 camas de cuidados intensivos completamente equipadas e duas de intermédios, prevendo-se a sua monitorização por uma equipa fixa, multidisciplinar, de neurocirurgiões, anestesistas e uma neurologista, complementada pelo apoio de elementos rotativos durante 24 horas.

Cada cama de cuidados intensivos dispõe de:
- central de monitorização de doentes;
- ventilador;
- equipamento de monitorização ligado à Central;
- as camas com múltiplas funcionalidades estão dotadas de colchões de pressão alterna.

A UCI destina-se à assistência de doentes internados no Serviço:
- doentes com patologia neurocirúrgica, especialmente da área neuro-oncológica e traumatológica;
- doentes com doenças cerebrovasculares, intervencionados em colaboração com a Neurologia e a Neuroradiologia;
- doentes com doença de Parkinson, intervencionados no Serviço;
- doentes com diagnósticos na área da neurocirurgia funcional, especialmente epilepsia e doenças do movimento.


Bloco Operatório (BO)

As intervenções estruturais realizadas no Serviço de Neurocirurgia envolveram ainda a reestruturação e ampliação do BO.

O BO está dotado de duas salas operatórias, sala de indução anestésica e de recobro e todos os equipamentos necessários para a execução de intervenções cirúrgicas de elevada complexidade, nomeadamente:
- microscópios cirúrgicos;
- craniótomos;
- equipamento de monitorização;
- endoscópio ventricular;
- ventiladores;
- equipamento de neuronavegaçao;
- aspiradores electrónicos;
- equipamento de registo e transmissão de imagens, nomeadamente, intra-opertórias para fora do BO, on line.

O BO destina-se à intervenção cirúrgica em:
- doentes com patologia neurocirúrgica, especialmente na área neuro-oncológica;
- na área das doenças cerebrovasculares, em colaboração com a Neurologia e a Neuroradiologia;
- na neurocirurgia funcional nas áreas da epilepsia e dos movimentos voluntários;
- doentes com patologia vertebromedular degenerativa, neoplásica e congénita.


Estas intervenções cirúrgicas, normalmente de elevada complexidade, envplvem equipamento extremamente sofisticado e equipas multidisciplinares, compostas nomeadamente por neurocirurgiões, neuroradiologistas, neurologistas, neurofisiologistas e técnicos de neurofisiologia.



Registos fotográficos do Serviço de Neurocirurgia, Piso 9, antes e depois das obras


Antes
Depois
Obras no Piso 9 do Serviço de Neurocirurgia

As obras que decorrem actualmente no Piso 9 do Serviço de Neurocirurgia são, nas palavras do seu Director, o Prof. Doutor Lobo Antunes, “mais do que um «sonho» antigo, a solução de problemas complexos, no que diz respeito à assistência neurocirúrgica e às condições de trabalho existentes, quer nos Cuidados Intensivos, quer no Bloco Operatório. A sala de operações tem, na sua forma presente, mais de 25 anos, durante os quais houve uma deterioração evidente. Por outro lado, os cuidados intensivos necessitavam de uma melhoria substantiva, sob vários pontos de vista, nomeadamente nas condições de trabalho da enfermagem, da vigilância, do equipamento e na necessidade de expansão”. E continua: “De facto, o modelo anterior estava ultrapassado, não correspondia aos standards actuais de organização de uma Unidade de Cuidados Intensivos. E obviamente que, quando há melhores condições de trabalho, os serviços tornam-se mais atraentes para os novos profissionais, o que é muito importante tendo em conta que na área dos Cuidados Intensivos a renovação dos recursos humanos é inevitável, pois há um imenso desgaste físico e psicológico da parte do pessoal da enfermagem”.

A realização destas obras “esteve planeada por sucessivas administrações (pelo menos quatro), tendo sido prometidas e sucessivamente adiadas, por isso este Serviço está grato à actual Administração, que percebeu a urgência desta intervenção e ao mesmo tempo reconheceu o Serviço de Neurocirurgia enquanto Serviço de referência no panorama da Neurocirurgia portuguesa, sendo certamente um dos que melhor reputação tem, ao nível nacional”.

Com esta iniciativa será possível reorganizar todo o espaço do Piso 9 de uma forma mais funcional, permitindo alguns ganhos consideráveis, nomeadamente “uma sala que permitirá a Cirurgia do Ambulatório. A Neurocirurgia não tem componente de ambulatório importante, com excepção da cirurgia do sindroma do túnel do carpo, mas há outras situações que são feitas com anestesia local, nomeadamente biopsias estereotáxicas, que são actividades muito relevantes para o serviço”.

Outro ganho notório será visível em termos de aquisição de equipamentos: “Vai ser completamente renovado todo o equipamento de monitorização. Em relação à sala de operações, já foi adquirido um novo microscópio topo de gama (o Serviço reconhece que contou sempre, das diversas administrações, com uma grande compreensão para a necessidade de actualização) e neste momento creio que poderemos adquirir também novas técnicas de Endoscopia, que é certamente das áreas mais excitantes de expansão da técnica neurocirúrgica”.

O Serviço de Neurocirurgia elaborou um Contrato-Programa com a Administração do Hospital, havendo o compromisso “de nos oferecerem meios para que este contrato seja exequível”. Apesar das grandes dificuldades derivadas da falta de pessoal quer de enfermagem, quer auxiliar “nós temos cumprido a nossa parte. Eu diria que as limitações em relação à nossa produtividade são multifactoriais: por um lado temos as limitações próprias da lotação da enfermaria, que é muito afectada por uma percentagem importante e inultrapassável de doentes crónicos, isto é, continua a não haver resposta no escoamento de doentes com situações crónicas, nomeadamente em estado vegetativo persistente. A outra limitação tem a ver com a utilização das duas salas de operações e essas limitações derivam de falta de pessoal não neurocirúrgico, ou seja, neste momento o serviço tem um número suficiente de neurocirurgiões (embora pudéssemos certamente acolher mais neurocirurgiões em treino), mas continuamos com falta de enfermeiros e auxiliares, quer nos Cuidados Intensivos, quer na Sala de Operações e a colaboração anestésica, embora seja esforçada, continua a não responder totalmente às nossas necessidades”.

Ainda que com alguns “problemas inesperados, nomeadamente a necessidade de criar uma cobertura provisória, sem a qual o Piso 8 teria inundado”, as obras continuam a avançar, com a compreensão da maioria dos doentes internados no piso 8 para o ruído provocado, em grande parte devido à consciência de que “o que está em causa são interesses maiores do que o seu conforto imediato”, são as condições de trabalho dos profissionais e de utilização pelos utentes nos anos vindouros.

Concluindo, “vamos ter um piso 9 remodelado, de muita qualidade, com mais uma cama, com melhores equipamentos e com Cirurgia do Ambulatório, estando o seu aproveitamento unicamente condicionado por factores humanos. Ficaria muito satisfeito se em Fevereiro, Março de 2008 finalmente pudéssemos mudar”.








Obras de remodelação em curso no piso 9

Planta das futuras instalações da nova Unidade