Serviço de Imuno-Hemoterapia, novo Hospital de Dia

A Equipa de trabalho e as novas instalações do Hospital de Dia de Imunohemoterapia, situadas no Centro de Ambulatório do Piso 1, inauguradas em Janeiro de 2008

O Serviço de Imuno-Hemoterapia mostrado pelo seu Director, Dr. Miguel Galvão

O Dr. Miguel Galvão, cumpre exactamente hoje – 1 de Junho de 2007 – o seu décimo sétimo ano como Director do Serviço de Imuno-Hemoterapia do Hospital de Santa Maria

Aquando da inauguração do Hospital de Santa Maria (1954), foi simultaneamente criado o então designado Serviço de Sangue, cujo âmbito de actividade passava pelas colheitas; tipagem; armazenamento, e transfusões de sangue necessárias à realização de técnicas cirúrgicas e tratamentos médicos mais complexos. Chegado o ano de 1982, com a regulamentação da especialidade médica de Imuno-Hemoterapia e o surgimento de novas tecnologias que permitiram a implementação de actividades mais alargadas, o Serviço de Sangue viu a sua designação ser alterada para Serviço de Imuno-Hemoterapia.

Tendo em atenção que as infra-estruturas do Hospital de Santa Maria já contam com mais de meio século de vida e considerando o desgaste natural não só de equipamentos como das próprias instalações, fomos, ao longo dos anos, assistindo passivamente a um paradoxo que hoje merece reflexão: a Instituição, enquanto Hospital Universitário de referência europeia, sempre caminhou em paralelo com os grandes Centros, não só de investigação científica, como de intervenções de primeira linha no que concerne à assistência na saúde, mas, paradoxalmente e por falta de intervenções, observava-se a olho nu uma acentuada degradação das instalações onde a Medicina conseguia, apesar do degradante estado das estruturas, subir íngremes escadarias.

Actualmente (Maio de 2007), o panorama das degradadas instalações está, a um ritmo muito considerável, a dar lugar a um passado recentíssimo, adivinhando-se um futuro próximo que nos permitirá trazer à estampa reportagens tão iguais a esta que identifica o renovado e moderno Serviço de Imuno-Hemoterapia.

Foram necessários dezassete anos para reabilitar o Serviço

A conversa com o Dr. Miguel Galvão, Director do Serviço de Imuno-Hemoterapia, cargo que ocupa desde o dia 1 de Junho de 1990, começou precisamente com uma alusão acerca das moderníssimas instalações a inaugurar hoje, dia 1 de Junho de 2007, no “novo” Serviço que dirige: «Estávamos no ano de 1990 quando se começou a sentir necessidade de remodelar os Serviços de Imuno-Hemoterapia para podermos dar resposta às novas tecnologias que começavam então a surgir. Ao longo dos anos foram desenvolvidos vários projectos para reabilitar o Serviço, mas as sucessivas Administrações limitavam-se a estudar o assunto sem lhe dar resposta ou continuidade, até que o actual Conselho de Administração considerou, e bem, prioritário dotar o Serviço de condições tecnicamente modernas, o que aconteceu e nos vem permitir trabalhar num Serviço de Imuno-Hemoterapia de nível Europeu».

Serviço de Imuno-Hemoterapia, o pilar de todos os Serviços

Director do Serviço há exactamente dezassete anos, instámos o Dr. Miguel Galvão sobre a actividade desenvolvida no passado e a actividade desenvolvida no presente: «Anteriormente, o Serviço pautava a sua actividade na vertente da colheita de sangue em dadores e na vertente de alguns tratamentos prestados aos doentes. Actualmente, concentramos os nossos esforços no doente, que é assistido em diversos conceitos. Considerando sempre que todos os doentes estão integrados no mesmo grau de importância, não hesito em afirmar-lhe que na primeira linha das nossas preocupações estão as emergências, as urgências e todas as situações críticas que surjam dentro do Hospital. Depois temos a chamada actividade de rotina, esta vocacionada para os tratamentos em internamento adstrito a todos os Serviços, sendo que dentro destes reside a preocupação de assegurarmos o pleno funcionamento dos vários blocos operatórios, onde está incluída a programação cirúrgica. Para além destas acções, temos também a linha do ambulatório, que actualmente já corresponde a mais de dez por cento da actividade de transfusão de sangue no Hospital de Santa Maria». E concluiu: «O Serviço actua nas vertentes do diagnóstico; prevenção e tratamento em situações de anemias congénitas ou adquiridas; nas alterações do metabolismo do ferro; nas doenças da coagulação do sangue por alterações quantitativas ou qualitativas das plaquetas ou dos factores plasmáticos da coagulação; na colheita, por técnicas aferéticas, de células estaminais do sangue periférico, e preparação dos enxertos de medula óssea utilizados em transplantação».

A Imuno-Hemoterapia, especialidade médica regulamentada em 1982, que substituiu o então designado Serviço de Sangue, veio permitir a implementação de intervenções mais alargadas na área Clínica e Laboratorial

Sangue com segurança acrescida

Falar de sangue é falar de vida, e como não existem adjectivos com dimensão capaz de qualificarem o valor da vida, questionámos o Director do Serviço de Imuno-Hemoterapia sobre os cuidados que envolvem o manuseamento e todo o circuito até ao momento da administração de uma transfusão. «Todos os componentes do sangue são analisados e fornecidos pelo Instituto Português do Sangue. Portugal tem uma legislação muito rígida no que respeita às recomendações dos vários testes obrigatórios a serem feitos ao sangue. Aliás, Portugal é um dos países da Europa onde são elaborados mais testes às doações de sangue. Se não há riscos? Todas as actividades comportam riscos, mas posso garantir-lhe que o sangue nunca foi tão seguro como é hoje».

Um Serviço Clínico e Laboratorial

Registada a garantia da segurança em qualquer intervenção que obedeça a administração de sangue, recuperámos de novo a linha de actividade do Serviço de Imuno-Hemoterapia. O Dr. Miguel Galvão explicou-nos: «O nosso Serviço tem como missão tratar doentes que necessitem de transfusões, no entanto, numa primeira fase, os médicos deste Serviço podem ser chamados a qualquer outro Serviço para colaborarem nos diagnósticos; na execução de determinados testes, e na prescrição terapêutica, isto na sua qualidade de especialistas na área. Depois temos os técnicos de análises clínicas, que efectuam as provas de compatibilidade transfusional, e também a logística, esta a cargo do corpo de enfermagem, que, entre outras tarefas, coordena a distribuição dos componentes sanguíneos por todos os Serviços, nomeadamente Blocos Operatórios; Sala de Partos; Cuidados Intensivos; Urgência Central, e todos os outros».

Disse-nos ainda o Dr. Miguel Galvão que o Serviço de Imuno-Hemoterapia é um Serviço Clínico e simultaneamente Laboratorial. Clínico porque e dentro da sua área assiste doentes, e Laboratorial porque executa testes laboratoriais para a preparação da terapêutica transfusional, ou a monitorização dos tratamentos.

Com um horário que responde vinte e quatro sobre vinte e quatro horas por dia, o reinstalado Serviço de Imuno-Hemoterapia passou a dispor de uma Unidade de Coagulopatias Congénitas, que está vocacionada para o tratamento de doentes (crianças e adultos) com hemofilia ou outras alterações da coagulação. O acompanhamento a estes doentes será prestado ao longo de toda a sua vida, desenvolvendo assim um conceito de cuidados coordenados com as outras especialidades médicas, sempre que os doentes tenham necessidade desse tipo de tratamentos.

Novos projectos em curso

Num último apontamento deixado pelo Director do Serviço de Imuno-Hemoterapia, ainda registámos os projectos em curso: «Reinstalado que está o Serviço, foram também criadas as condições necessárias para a instalação do Centro de Medicina Transfusional e da Unidade de Coagulopatias Congénitas. Paralelamente, estamos já a trabalhar em dois outros projectos: a transferência do Hospital de Dia de Imuno-Hemoterapia para a área do ambulatório, com vista à melhoria das condições assistenciais, a par com a adaptação das antigas instalações no desenvolvimento tecnológico da Unidade de Técnicas Aferéticas – vocacionada para a obtenção de “Stem Cells” – e do Laboratório de Criobiologia, orientado para a preparação e conservação de produtos biológicos destinados à utilização em terapia celular».

O Director do Serviço de Imuno-Hemoterapia, falou-nos sobre os números de intervenções realizadas em 2006 e afirmou que o Serviço está habilitado a responder prontamente a um eventual crescimento do volume de cuidados a prestar no Hospital de Santa Maria

Um Serviço sem constrangimentos às respostas impostas pelas necessidades

O Serviço de Imuno-Hemoterapia do Hospital de Santa Maria está, no dizer do seu Director, perfeitamente habilitado a responder, hoje e no futuro, a todas as necessidades da própria Instituição. Ou seja, na eventualidade de um crescimento do volume de cuidados a prestar, o Serviço está preparado para adaptar o seu desempenho de forma a dar resposta pronta às indispensabilidades, e os números do ano de 2006 reflectem essa capacidade:

  • Mais de 6.000 (seis mil) tratamentos em Hospital de Dia.
  • Cerca de 45.000 (quarenta e cinco mil) unidades de componentes sanguíneas e de factores de coagulação transfundidas.

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