Pacemaker inovador implantado na Cardiologia I do CHLN

O Serviço de Cardiologia I (Hospital de Santa Maria) do Centro Hospitalar Lisboa Norte, realizou, no passado dia 29 de Janeiro de 2009, a primeira cirurgia de implantação – decorrida em Portugal – de um novo e sofisticado pacemaker.




O novo aparelho foi desenhado, testado e aprovado para ser utilizado durante a ressonância magnética, em condições específicas, e está agora disponível nalguns países europeus.
De acordo com o Dr. João Sousa, médico cardiologista responsável pela equipa que implantou o aparelho, este novo pacemaker marca uma importante evolução nos dispositivos cardíacos implantáveis.

De facto, os pacientes portadores desses aparelhos – pacemakers e cardioversores – não se podiam, até agora, submeter a ressonâncias magnéticas – actualmente um meio de diagnóstico importantíssimo – atendendo ao risco da ocorrência de arritmias e eventual danificação do próprio aparelho.




De acordo com o Dr. João de Sousa, está calculado, através de estudos, que cerca de metade dos doentes portadores de pacemakers necessitariam de fazer ressonâncias magnéticas, sendo que nos doentes com mais de 65 anos, a necessidade deste meio de diagnóstico duplica.

Quanto à fiabilidade deste novo sistema, o Dr. João de Sousa afirmou que foram realizados estudos comparativos com aparelhos similares mas não dotados da actual tecnologia, sendo que os resultados se mostraram do mesmo modo eficazes.

O Prof. Doutor Mário Gastão Lopes e a Cardiologia

O Prof. Doutor Mário Gastão Lopes, Director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Maria, retratou-nos o Serviço que dirige e olhou para o ontem e o hoje da Ciência Médica Cardiológica

O Prof. Doutor Mário Gastão Lopes, Director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Maria, com o rigor que lhe é peculiar aliado à experiência de quarenta e oito anos de vivência na Instituição, descreveu-nos, com palavras substantivas, não só o Serviço que dirige desde Setembro de 2005, como também o estado actual da ciência médica na área da Cardiologia. «O Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Maria foi criado na década de cinquenta do século XX, após a inauguração do próprio Hospital, em 1954. E porque estamos a falar em datas, permita-me relembrar que o primeiro Director do Serviço, o Professor Doutor Eduardo Coelho, foi o investigador que realizou a primeira coronariografia em humanos, como recentemente foi confirmado na prestigiada Revista Circulation, dos Estados Unidos da América. Faço questão em realçar este facto, porque nele, e estou a reportar-me à década de cinquenta, encontramos a nossa presença na fronteira do desenvolvimento da Cardiologia moderna, o que não é do conhecimento geral. Aliás, este feito enquadra-se na tradição da Escola de Medicina Angiográfica de Lisboa, por onde passou o Professor Egas Moniz e outros angiologistas que investigaram e introduziram técnicas de imagem no estudo de várias patologias. Estamos, portanto, a falar de um Serviço de Acção Médica de referência, tendo, como se compreenderá, sofrido algumas 3/12 vicissitudes ao longo dos tempos. Uma das curiosidades que me faz recordar épocas passadas prende-se com o episódio que envolveu o Professor Eduardo Coelho, na altura médico assistente do Dr. Oliveira Salazar, que quando foi obrigado a reformar-se por limite de idade, foi publicada uma Lei especial que o manteve como Director do Serviço de Cardiologia. São factos curiosos que fazem a história do nosso Serviço. Durante um largo período, sob a Direcção do Prof. Doutor Jaime Celestino da Costa, cirurgião cardíaco, o Serviço foi transformado no Serviço de Cardiologia Médico-cirúrgica. Mais tarde, voltou a ser o Serviço de Cardiologia sob a direcção do Prof. Doutor Salomão Sequerra Amram, sucedendo-lhe então no cargo a Profª. Doutora Maria Celeste Vagueiro, a quem se seguiu o Dr. João Álvaro Correia da Cunha, até Setembro de 2005.

A Cardiologia foi uma das áreas do conhecimento médico que mais evoluiu nos últimos anos, o que motivou uma subespecialização do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Maria

Um Serviço em mutação

Convidado a um olhar expositivo sobre o Serviço de Cardiologia, atentemos às palavras do Prof. Mário G. Lopes: «Começo por lhe dizer que o Serviço está numa fase de grande mutação e a preparar-se para os desafios do futuro. Valerá, desde já a pena, referir que um terço dos médicos que trabalham no nosso Serviço têm idades iguais ou superiores a cinquenta e nove anos, o que equivale a dizer que dentro de poucos anos terão que deixar de prestar a sua colaboração, o que nos vai obrigar a apostar numa nova geração e em novas condições de trabalho. Essas novas condições já deram um salto muito importante quando, em 2005, foi inaugurada a segunda Sala de Hemodinâmica, estando prevista para este ano (2008) a inauguração do novo Laboratório de Cardiologia Não Invasiva, onde serão concentradas todas as técnicas desta área. Estão previstos outros benefícios que, num futuro próximo, permitirão ao Serviço dar uma resposta de melhor qualidade à nossa actividade que, e como é habitual no Hospital de Santa Maria, é tripartida, ou seja, para além da assistência, o Serviço de Cardiologia oferece também formação pré e pós-graduada, para além da investigação científica».

E um Serviço subespecializado

Instado a deixar-nos uma palavra sobre a investigação científica desenvolvida no Serviço que dirige, observou o Professor Mário G. Lopes: «A investigação científica, em conjunto com a formação, são dois aspectos essenciais para o Hospital de Santa Maria, no entanto, a assistência de elevada qualidade, inovadora e em quantidade significativa, são partes integrantes dessas vertentes. Não faria sentido que num Serviço de Acção Médica não houvesse assistência. Com isto pretendo dizer-lhe que um Hospital como o de Santa Maria tem que considerar a formação como uma das suas actividades nucleares. Esta aplica-se aos alunos – temos mais de trezentos e setenta alunos por ano lectivo – mas também ao ensino pós-graduado, não só de médicos mas também de enfermeiros, de cardiopneumografistas, de psicólogos, de nutricionistas, de bio-engenheiros, gestores, enfim, de inúmeros elementos das mais variadas categorias profissionais que ao longo do ano passam pelo nosso Serviço para poderem partilhar a vivência prática e real das nossas actividades. Perante todos estes factores, intuímos que tem que haver uma análise crítica e rigorosa sobre tudo o que se está a passar, e é isso que se traduz na investigação científica, actualmente parte essencial nas denominadas sociedades modernas». E o Professor Mário G. Lopes, nitidamente empenhado na prestação de uma rigorosa informação, continuou: «Por outro lado, e atendendo a que a Cardiologia foi uma das áreas do conhecimento médico que mais se desenvolveu nos últimos anos, quer em variedade de intervenções, quer na quantidade de doentes a tratar, levou o nosso Serviço a subespecializar-se em múltiplas competências que vão desde a Cardiologia invasiva e de intervenção, à electrofisiologia cardíaca, aos cuidados intensivos cardiológicos, às áreas das técnicas de electrocardiologia avançada, ecocardiografia avançada e de todas as outras técnicas de imagiologia cardíaca, como a ressonância magnética e a tomografia axial computorizada multicortes. Verificamos, assim, que só nas áreas de aplicação clínica existe uma enorme variedade de actividades. Temos, ainda, a interface com a área básica a que o Serviço também está naturalmente ligado, nomeadamente com o Instituto de Medicina Molecular, onde se desenvolve a chamada investigação translaccional, que consiste no aproveitamento dos problemas clínicos para se aprofundar o seu conhecimento básico que poderá depois ser aplicado à resolução de múltiplas situações patológicas. Estamos, portanto, perante um Serviço que se apresenta como uma estrutura muito vasta, muito complexa, que funciona durante vinte e quatro horas ao longo dos sete dias da semana e que eu, com muito orgulho e satisfação, tenho dirigido nestes últimos dois anos e meio».

A evolução continuada na Cardiologia

Ainda sobre o significativo desenvolvimento do conhecimento médico e científico na área da Cardiologia, o Prof. Mário G. Lopes recuou no tempo e desenhou-nos uma ilustrativa imagem do passado: «Às pessoas menos novas como eu, e faço notar que entrei nesta Instituição em 1960, foi permitido assistir a uma evolução espectacular no conhecimento biomédico, mas é importante perceber que não foi só a Cardiologia que evoluiu. A evolução verificou-se na Medicina em geral, assim como evolui o País, evoluiu a Europa e evoluiu o Mundo. O Mundo de hoje não tem paralelo com o mundo pós-segunda guerra mundial que eu ainda tive oportunidade de conhecer. Quanto à evolução da Cardiologia, poderei acentuar alguns pontos que, e por ordem cronológica, me parecem dotados de significativa importância: as áreas de diagnóstico invasivo, nomeadamente a angiografia, que, e como já lhe referi, tivemos como um dos pioneiros do desenvolvimento dessa técnica o Professor Eduardo Coelho, técnica essa que nos veio permitir um conhecimento muito mais alargado das doenças. À época não existiam técnicas de imagiologia. Mais tarde surgiu a Cirurgia Cardíaca, área essencial para os doentes cardíacos. A Cirurgia Cardíaca nasceu no nosso Hospital com o Prof. Doutor Jaime Celestino da Costa, a que se seguiu o Prof. Doutor Rui de Lima, e é agora dirigida pelo Dr. João Cravino. Em paralelo, começaram a ser desenvolvidas várias áreas, nomeadamente a electrocardiologia, que inicialmente era só o electrocardiograma convencional e que veio a ter um grande desenvolvimento com as técnicas de Holter; as provas de esforço; os potenciais tardios, enfim, assistimos, de facto, a um conjunto de técnicas diagnósticas que abriram as portas para a expansão da outra grande área que é a electrocardiologia cardíaca e o pacing. Começou-se pela implantação de pacemakers simples, e actualmente dispomos de pacemakers altamente complexos como o cardioversor-desfibrilhador implantado (CDI), que é capaz de tratar taquidisritmias ventriculares malignas responsáveis pela morte súbita cardíaca. Estamos a falar de equipamentos muitíssimo sofisticados que, e para ficar com uma ideia, chegam a ter um custo unitário superior a trinta mil euros. Simultaneamente, foram desenvolvidos os cuidados intensivos cardíacos, o que representou um significativo avanço clínico dedicado ao tratamento do enfarte do miocárdio e de todas as situações agudas associadas a instabilidade eléctrica ou hemodinâmica, como a insuficiência cardíaca aguda, o embolismo agudo e as arritmias que põem em risco a vida do doente. Quero recordar o Professor Doutor Arsénio Cordeiro que, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, introduziu em Portugal, no final dos anos sessenta, a primeira dessas Unidades em Portugal, o que se mostrou uma perfeita revolução na nossa Cardiologia. Posteriormente, surgiu uma técnica que ainda hoje é considerada um dos maiores avanços da Medicina no século passado, que foi a ultrassonografia e a sua aplicação ao estudo do coração. A ultrassonografia utiliza-se actualmente em todas as zonas do corpo, mas no coração foi de facto muito importante se atendermos a que o órgão é móvel. Ou seja, utilizando as múltiplas técnicas que se têm vindo a desenvolver ao longo do tempo, hoje temos uma capacidade diagnóstica que era de todo inimaginável quando, nos anos sessenta, tudo começou». E o Professor Mário G. Lopes continuou: «Também a genética molecular sofreu avanços extraordinários que permitiram ajudar à compreensão da génese das doenças cardíacas, bem como do conceito de factores de risco para a doença, o que nos leva a outra área extremamente importante e que quero enfatizar: o problema da prevenção. O conceito de prevenção e de estratificação do risco – tentando evitar que a doença apareça e se aparecer que seja o mais tarde possível – também é uma realidade recente e que não existia nos anos sessenta». E com o olhar posto num passado recente, o Professor recordou: «Tenho bem presente que no meu tempo de interno, acompanhava o Director do Serviço nas visitas semanais aos doentes só para observar a evolução das doenças. E as visitas eram semanais porque a nossa capacidade de intervenção era francamente limitada, o que implicava internamentos com uma duração média de um mês. Também me recordo perfeitamente do Director do Serviço, que era cardiologista, oferecer, por cortesia, cigarros aos colegas, durante o intervalo desta visita semanal. Nessa altura desconheciase por completo os malefícios do tabaco. Outra área a que tenho que fazer referência é a farmacológica. A Farmacologia, sendo um dos pilares estratégicos também extremamente importante, sofreu uma evolução extraordinária. Pese embora o seu elevado peso no custo dos cuidados de saúde, o facto é que actualmente dispomos de um alargado e eficaz leque de armas terapêuticas. Ou seja, aliado à melhoria das condições gerais de vida, tivemos ganhos no sector da saúde mas não apenas por via da Medicina no sentido estrito da palavra. Esses ganhos de saúde devem-se, acima de tudo, à melhoria das condições sanitárias e aos avanços em saúde pública. É importante que as pessoas percebam isso para não pensarem que foi só a Medicina curativa que nos proporcionou a actual situação. Com isto pretendo dizer-lhe que caminhamos para uma sociedade em que a esperança média de vida já está a ultrapassar os oitenta anos. Aliás, dados estatísticos recentemente publicados apontam para que aos sessenta e cinco anos, a chamada idade da reforma, o português, tem, em média, mais 18,2 anos para viver, o que equivale a uma nova carreira. A este propósito cabe aqui dizer-lhe que no Japão, onde os fenómenos da longevidade têm sido estudados com grande rigor, está previsto que em 2050 se chegue facilmente aos cem anos e que o grupo etário mais frequente ronde os oitenta anos. Ora, com este aumento da esperança de vida, as doenças cardiovasculares irão subir em flecha, mesmo com a utilização de todas as estratégias de prevenção. Perante este quadro não será difícil inferir que a Cardiologia, uma especialidade médica em grande expansão, tem uma natural tendência para ser cada vez mais solicitada pelas populações, e este aumento da procura é um problema que me preocupa. E preocupa-me pelos elevadíssimos custos que irá acarretar. Como todos sabemos, não há nenhuma sociedade, nem mesmo os Estados Unidos da América, onde os recursos sejam ilimitados, cabendo por isso a cada um de nós a gestão eficaz desses mesmos recursos, de forma a serem correctamente aplicados em cada doente».

O “coração bomba” e o “coração alma” mereceram uma cuidada e interessante análise do Prof. Doutor Mário Gastão Lopes

“O doente sénior pressupõe reflexão”

A excelente explanação deixada pelo Director do Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Maria, suscitou-nos a questão que, e aqui em discurso directo colocámos ao Professor Mário G. Lopes: Senhor Professor, em face do panorama que nos traçou – o envelhecimento acentuado das populações – poder-se-á antever a criação de uma Cardiologia Geriátrica? «A área geriátrica é uma das áreas que ao longo dos anos nos tem vindo a interessar, e por isso direi que não é necessário criar a sub-especialidade de Cardiologia Geriátrica, porque já hoje é uma parte muito importante da Cardiologia, todavia, tenhamos presente que ao doente sénior estão associados alguns aspectos específicos, isto porque nesse grupo etário não é apenas a esperança de vida o único problema a analisar, já que é muito relevante a qualidade de vida. Por outro lado, na Medicina moderna há sempre um certo grau de incerteza em relação às consequências dos actos médicos. Por conseguinte, algumas (todas?) decisões médicas terão que ser cada vez mais partilhadas com os doentes e respectivas famílias, a quem, por direito próprio, caberá sempre dar ou não autorização para a realização de cada acto médico. Ainda no que respeita aos doentes seniores, sejam eles do foro cardiológico ou outro, todos merecem a melhor atenção e os melhores cuidados que lhes possamos prestar, e nessa linha está o Hospital de Santa Maria, onde a grande percentagem de doentes internados se enquadra nessa faixa etária».

O “coração bomba” e o “coração alma”

A entrevista ia longa, mas a “lição” do Professor Mário G. Lopes era, a cada palavra, um forte incentivo para que não a terminássemos. E continuámos. Agora com uma pergunta cuja resposta interessa a todos. Porque todos temos coração. Senhor Professor, quer-nos explicar porque é que todos os nossos problemas, sejam eles do foro afectivo, profissional, etc., se reflectem ou com “picadas” no coração, ou com um aperto no peito, ou com outros sintomas deste género e que todos bem conhecemos? «Parafraseando o Professor Doutor Fernando de Pádua, meu Mestre, costumo dizer que nós temos dois corações: o “coração bomba”, e o “coração alma”. Eu sou especialista do “coração bomba”, mas não há dúvida que o “coração alma” é um “órgão” extremamente importante, e, de forma muito simplista, podemos dizer que por vezes sofre aquelas sensações que sentimos no peito quando alguma coisa nos corre menos bem. Eu não lhe sei dizer porque é que a espécie humana sente essas coisas, mas o facto é que as sente. Todos sentimos apertos no peito, sentimos falta de ar, sentimos o coração bater com mais força, mas felizmente na maioria dos casos estas sensações não se associam a qualquer tipo de problema no “coração bomba”. No entanto, nem sempre é fácil distinguir as queixas de um e do outro. Mais: eu diria que é impossível distingui-las, excepto no âmbito de uma consulta médica. Compreendo perfeitamente o pânico das pessoas quando sentem esses batimentos ou apertos e acorrem a um Serviço de Urgência. Actualmente a informação está cada vez mais próxima das pessoas, e daí os alertas para sintomas desse tipo que, como lhe disse, só numa consulta médica se poderá saber qual dos “corações” está a “doer”, cabendo por isso aos Serviços de Saúde tomarem as medidas necessárias para receber esses “doentes”. Quanto ao “coração bomba”, é um órgão muito interessante. Bate cem mil vezes por dia, e está previsto, que com relativa facilidade, possa durar entre os cem e os cento e vinte anos. É, portanto, um órgão muito bem conceptualizado».
Mas recuperando ainda os sintomas que tantas vezes nos assustam, eis o conselho do Professor Mário G. Lopes: «Cada pessoa é diferente, e há pessoas que sentem muitas coisas e outras que não sentem nada. De facto há pessoas que somatizam mais os problemas, e são essas mesmas pessoas que sentem picadas no coração, sentem dores no peito, ou outras queixas do género, mas essas pessoas, depois de duas ou três consultas médicas da especialidade, devem começar a compreender que o seu organismo reage daquela forma, o que não invalida que um dia possam vir a ter realmente um problema grave. A vida não é eterna. Por outro lado, temos aquelas pessoas que nunca sentiram nada e de repente não se sentem bem. Perante essas situações as pessoas não devem hesitar em recorrer a um Serviço de Urgência ou chamar os serviços de assistência médica móvel, que actualmente contam com ambulâncias equipadas para prestar os cuidados necessários.» E esta documentativa conversa com o Professor Doutor Mário G. Lopes terminou com uma pertinente observação: «Eu direi que devemos ter uma atitude optimista, porque uma atitude pessimista ou de medo nunca resolve absolutamente nada. O mais importante é controlarmos os chamados factores de risco que favorecem a doença cardiovascular, que nunca será demais recordá-los: controlar a tensão arterial; procurar meios de cessação tabágica; controlar a diabetes; controlar a obesidade; controlar o colesterol; fazer exercício físico, ou seja, é afinal uma tabela de medidas tão simples mas que podem evitar o acometimento de qualquer situação grave e irreversível. Antes de terminar volto a repetir que perante um qualquer sintoma não habitual, sugestivo de doença cardíaca, é imperativo o recurso a um Serviço de Assistência Médica».

A EXPRESSÃO DOS NÚMEROS INDICAM A ACTIVIDADE DO SERVIÇO DE CARDIOLOGIA DO HOSPITAL DE SANTA MARIA


AS IMAGENS MOSTRAM-NOS OS DIVERSOS E COMPLEXOS DEPARTAMENTOS QUE COMPÕEM O SERVIÇO DE CARDIOLOGIA DO HOSPITAL DE SANTA MARIA

Internamento



Laboratório de Pacing


Laboratório de Hemodinâmica


Recobro


U.T.I.C. – Cuidados Intermédios


U.T.I.C. – Cuidados Intensivos


Unidade de Técnicas Não Invasivas




Serviço de Cardiologia

O Serviço de Cardiologia resulta da aglutinação de diversos pólos cardiológicos que se desenvolveram, no Hospital de Santa Maria, ao longo dos seus cinquenta anos de actividade: Serviço de Cardiologia; Serviço de Clínica Médica (Medicina I, a partir de 1978); UTIC – Arsénio Cordeiro (UTIC-AC): Serviço de Medicina IV (UCIM).

Em Julho de 2000, foram integrados os pólos referidos, sendo o Serviço de Cardiologia institucionalizado como estrutura cardiológica única do Hospital de Santa Maria, a culminar processo natural de concentração e de racionalização de recursos.

Técnicas Invasivas:

Hemodinâmica Diagnóstica e de Intervenção Terapêutica (Unidade de Cardiologia de Intervenção Joaquim Oliveira)
A actividade do Laboratório de Hemodinâmica é dedicada, predominantemente, ao diagnóstico e tratamento da doença coronária. Não obstante ter-se vindo a verificar aumento de complexidade e de duração dos procedimentos de intervenção coronária, o número de doentes e de lesões tratadas têm vindo a aumentar. No momento actual, são submetidos a reperfusão por este método todos os doentes que recorrem ao SUC com enfarte com ST elevado em fase aguda. A instalação de segunda sala de cateterismos (projecto apresentado e aprovado no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio III – Plano Operacional Saúde – Saúde XXI), veio permitir o acréscimo de actividade global e a diferenciação e diversificação da actividade do Laboratório.

Electrofisiologia Cardíaca Diagnóstica e de Intervenção Terapêutica
A actividade deste Laboratório tem-se traduzido em predomínio de intervenções terapêuticas (60%), funcionando como unidade de referência (40% dos doentes provém de outras instituições hospitalares). As principais actividades do Laboratório consistem em ablações por radiofrequência, implantação de cardioversores desfibrilhadores e ressincronização ventricular. Em articulação com este Laboratório, realizam-se consultas de Arritmologia e de seguimento de portadores de cardioversores-desfibrilhadores implantáveis.

Pacing Cardíaco
O Laboratório de Pacing Cardíaco é um dos mais antigos do país e realiza neste momento um número de intervenções que o colocam como um dos maiores a nível nacional.

Internamento:

Sector de Internamento - constituído por 21 camas, está vocacionado predominantemente para o processamento diagnóstico e para a terapêutica de situações Cardiológicas agudas ou não esclarecidas. Pelas características e necessidades dos doentes assistidos e disponibilidade de monitorização electrocardiográfica por telemetria este Sector pode ser identificado como prestador de cuidados de nível intermédio.

UTIC-AC - dispõe actualmente de nove camas de cuidados intensivos - seis em quartos e três em espaço aberto - e de nove camas de nível intermédio. A UTIC-AC, primeira unidade em Portugal e uma das primeiras a nível mundial.


Urgência

As características de prevalência, gravidade e prioridade das situações clínicas de urgência do foro cardiovascular são determinantes da necessidade de apoio cardiológico aos mais variados níveis (UTIC-AC, SUC, Urgência Interna e Prevenção para Cardiologia de Intervenção).

Desde 1994 o Serviço de Cardiologia disponibilizou recursos para a Angioplastia Primária no tratamento dos Síndromes Coronários Agudos, estabelecendo-se na vanguarda internacional, antecipando as actuais recomendações terapêuticas.

A Consulta Externa de Cardiologia é actualmente a maior consulta do hospital, com movimento anual de mais de 19 000 consultas.

Técnicas Não Invasivas e Telemedicina:

A Cardiologia é das especialidades médicas que utiliza maior gama de técnicas complementares de diagnóstico e terapêutica. No Serviço de Cardiologia existem diversos Laboratórios de técnicas cardiológicas não invasivas: Ecocardiografia – piso 1 (Unidade de Técnicas Não-Invasivas), piso 6 (UTIC-AC) e piso 8; Ergometria – piso 8; Electrocardiografia Ambulatória por método de Holter – piso 6 (UTIC-AC) e piso 8; Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial (MAPA – piso 8); Teste de Mesa Basculante (teste de Tilt) – piso 8; Electrocardiografia

O Serviço tem desenvolvido, nesta como nas restantes áreas, actividade relevante e pioneira que o coloca em lugar cimeiro entre os congéneres portugueses. Está actualmente em fase de construção um novo espaço no piso 1 que irá albergar todas as técnicas diagnósticas não invasivas e a Telecardiologia o que irá permitir uma melhoria qualitativa e quantitativa da nossa actividade.


Formação e Investigação:

Formação pós-graduada médica – Internato complementar de cardiologia e formação externa nas suas diferentes valências.

Ensino pré-graduado médico – Colaborando activamente no ensino universitário da FML, ensinando mais de 300 alunos por ano.

Formação pré e pós-graduada de outros profissionais de saúde – Colaborando com várias instituições nomeadamente Escolas Superiores de Enfermagem, Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa e Instituto Superior de Psicologia Aplicada.

Investigação – A actividade de investigação do Serviço de Cardiologia tem-se desenvolvido em diferentes áreas científicas, em que predominam não só os estudos de colaboração entre modalidades técnicas, mas também os interdisciplinares e os multicêntricos.