O Serviço de Saúde Ocupacional: caminho percorrido até agora

O SSO HSM foi oficialmente inaugurado a 31 de Outubro de 2006, constituindo a sua abertura e crescimento, uma aposta clara do Conselho de Administração (CA) do Hospital, sem a qual seria impossível atingir o ponto de desenvolvimento actual e acreditar no seu potencial futuro.

De início, a actividade desenvolvida por este Serviço foi orientada, no seu essencial, para a concretização dos aspectos fundamentais para a sua abertura. Nesta fase, procedeu-se ao planeamento e programação da forma de actuação do Serviço e à estruturação de um modelo de organização, para além da dotação dos recursos humanos e materiais mínimos para o seu funcionamento.

A caracterização das necessidades com base num diagnóstico preliminar de situação, além da consulta de fontes de informação, designadamente jurídicas e técnico-normativas, estiveram na base da elaboração de programas específicos considerados prioritários, para um horizonte temporal de dois anos. Depois de devidamente aprovados, esses programas de prevenção de riscos profissionais começaram a ser postos em prática, entrando numa fase de pleno desenvolvimento durante o ano de 2007.

Neste momento, o SSO do HSM encontra-se organizado, com recursos próprios, com um Plano de Actividades definido e com vários programas em curso. Apesar da curta existência do Serviço, as áreas de intervenção têm sido muito diversas, permitindo que o Serviço se vá projectando gradualmente, na cultura interna do Hospital. 

É com satisfação que recebemos diversas solicitações por parte das Chefias / Direcções de Serviço relativamente a pareceres técnicos e que assistimos a uma procura crescente por parte dos profissionais do Hospital, nomeadamente em relação a alguns programas que estamos a desenvolver.

Pensamos que este reconhecimento se deve à relação de proximidade e disponibilidade estabelecida com os profissionais, através de iniciativas como as visitas aos locais de trabalho, disponibilização de conteúdos e informação na Intranet (como por exemplo Normas e Procedimentos em Saúde, Higiene e Segurança), acolhimento aos novos profissionais ou ao trabalho em conjunto com os diversos Serviços.

Provas do reconhecimento externo são também cada vez mais frequentes, nomeadamente através de pedidos de visitas ou estágios por parte de profissionais de outros serviços de saúde ocupacionais já existentes ou em início de actividade, ou ainda a frequência nas acções de formação ministradas pelo SSO de profissionais de saúde de outras instituições públicas e privadas.

Desde a génese do Serviço, foi assumido pelo CA do HSM e interiorizado pela equipa do SSO, a importância da orientação para o profissional e para o seu bem-estar, traduzindo-se esta preocupação no modelo de funcionamento do Serviço e na adopção de uma abordagem global e multidisciplinar da gestão do risco hospitalar.

De facto, sabemos que a preocupação com a saúde dos profissionais constitui uma forma de os motivar e que, melhorando as suas condições de trabalho, podemos contribuir indirectamente para a qualidade dos serviços prestados aos doentes, objectivo prioritário do HSM.

Sendo o Hospital de Santa Maria uma referência no sistema de saúde português, altamente diferenciado e actuante na tripla função assistencial, de ensino e de investigação, é natural que a actuação de um Serviço vocacionado para a saúde dos profissionais constitua um enorme desafio, pela heterogeneidade de funções em presença e diversidade de factores de risco existentes.


O Serviço de Saúde Ocupacional: desafios futuros

O desenvolvimento do SSO tem vindo a acompanhar o desenvolvimento a nível de outros sectores da actividade hospitalar no HSM. Na vertente da informatização, possuímos uma aplicação informática específica na área da Saúde, Higiene e Segurança. Este passo parece-nos ser necessário para que o Serviço possa evoluir para um processo de acreditação na vertente de qualidade.

Perspectivando o crescimento do Serviço adequando-o à dimensão e complexidade do HSM, prevemos a necessidade de alargamento da equipa a outras valências ou reforçando as já existentes. Em 2008, novos desafios se nos deparam, nomeadamente com a criação do Centro Hospitalar Lisboa Norte. Propomo-nos a continuar os programas iniciados em 2007, adaptando-nos a uma nova realidade e acrescentando alguns aspectos inovadores e complementares. Alguns protocolos com outros Serviços, como o de Dietética ou o de Psiquiatria, estão já a ser implementados, reforçando a vertente da promoção da saúde dos profissionais.

Pretendemos ainda obter a idoneidade pela Ordem dos Médicos, para a formação de Internos do Internato Complementar de Medicina do Trabalho no âmbito do novo plano de formação recentemente submetido pelo Colégio da Especialidade ao Ministério da Saúde, processo já iniciado.

Dar continuidade ao empowerment dos profissionais continuará a ser uma prioridade, responsabilizando-os pela sua própria saúde e segurança, convidando-os a interagir com o SSO e disponibilizando-nos para trabalhar com todos. Sabemos que só desta forma nos será possível cumprir a nossa missão e encaminharmo-nos cada vez mais para uma cultura de segurança no HSM e para um Hospital de Futuro.

Serviço de Saúde Ocupacional

O Hospital de Santa Maria está a implementar um novo Serviço: o Serviço de Saúde Ocupacional (SSO).

A Directora do SSO, Dra. Ema Sacadura Leite, especialista em Medicina do Trabalho, traçou-nos um primeiro desenho da estrutura e importância deste novo Serviço: «O projecto de criação do Serviço de Saúde Ocupacional a ser implementado aqui no Hospital de Santa Maria, nasceu em Outubro de 2005, data em que me foi endereçado o convite para vir desenvolver o Serviço. A vontade demonstrada pelo Conselho de Administração tem sido determinante para avançarmos com este projecto. Como decerto tem conhecimento, cada Instituição, cada empresa, deve definir uma política de saúde, higiene e segurança para os seus colaboradores. A existência deste Serviço, para além da obrigatoriedade imposta por Lei, também se torna absolutamente conveniente e necessária, sob a perspectiva da protecção da saúde e da própria satisfação profissional».
Instada acerca dos objectivos concretos a desenvolver pelo SSO, a Dra. Ema Leite observou: «A política de saúde, higiene e segurança do Hospital de Santa Maria, visa, essencialmente, a prevenção dos riscos profissionais, nomeadamente de acidentes de trabalho e de doenças profissionais. No entanto, para além da prevenção desses riscos, também é nossa preocupação a saúde global dos profissionais do HSM. Nesse sentido, vamos dispor no Serviço de Saúde Ocupacional, de um Clínico Geral para apoio nas doenças naturais que eventualmente possam surgir durante o exercício de funções, não obstante a nossa missão esteja preferencialmente orientada para a implementação de programas de prevenção dos riscos profissionais existentes no HSM, os quais serão desenvolvidos de acordo com prioridades que estão a ser estabelecidas. A implementação de programas de promoção da saúde, também constitui uma das nossas áreas de intervenção».

A Dra. Ema Leite, Directora do Serviço de Saúde Ocupacional, dispõe de todas as condições logísticas para prestar assistência médica a todos os profissionais do Hospital de Santa Maria

O SSO não é um Serviço de Urgência ou um Serviço Clínico para os profissionais, é antes um Serviço que visa prevenir os efeitos adversos sobre a saúde relacionados com a actividade profissional e que, em última instância, visa o bem-estar e a própria satisfação profissional.

Sendo o Serviço de Saúde Ocupacional um Serviço criado para os trabalhadores do Hospital de Santa Maria, não podíamos deixar de questionar a sua Directora se, e sempre que um funcionário necessite de assistência médica, pode dirigir-se directamente ao SSO evitando assim o recurso ao Serviço de Urgência. A Dra. Ema Leite explicou: «A sua pergunta é extremamente pertinente e obedece a uma explicação: este Serviço, actualmente em fase de implementação, não pretende nem pode substituir o Médico de Família nem as consultas de outras especialidades. A sua missão, como já lhe referi, relaciona-se essencialmente com a prevenção dos riscos profissionais e, neste âmbito, há muito a fazer. E é por isso que temos de estabelecer prioridades nos programas a executar, isto porque é impossível, numa fase inicial, abarcar todos os riscos profissionais. A componente de consultas de Clínica Geral será um complemento da actividade do nosso Serviço, em que o profissional poderá marcar directamente uma consulta caso uma doença natural surja durante o exercício da sua actividade, mesmo que não tenha qualquer relação com a mesma. Temos que ressalvar que os recursos humanos, nomeadamente neste âmbito, não serão suficientes de modo a substituir o Médico de Família. Para tanto necessitaríamos de pelo menos três clínicos gerais a tempo completo de modo a responder imediata e cabalmente a todas as necessidades dos profissionais, no entanto, a existência de um clínico geral poderá ser um elemento facilitador na orientação clínica e resolução de alguns problemas relacionados com doenças naturais, contribuindo assim para a saúde global do trabalhador». E concluiu: «O Serviço de Saúde Ocupacional está a ser criado gradualmente, contando com o apoio técnico da Escola Nacional de Saúde Pública, o que nos levou ao estabelecimento de um protocolo que tem como objectivos a monitorização e acompanhamento da instalação, implementação e programação do SSO no HSM. Pretendemos assim dar passos progressivos mas consistentes no âmbito da protecção e prevenção de riscos profissionais, com vista à prossecução da saúde e bem-estar dos colaboradores do Hospital de Santa Maria. Nesta matéria, é fundamental a colaboração dos diversos intervenientes que, na realidade, são todos os profissionais do Hospital. Queremos criar elos de ligação com os diversos Serviços e desenvolver trabalho conjunto na área da protecção da saúde e segurança. Só construindo esta rede, que terá que ser activa, poderemos de facto interferir nas condições de trabalho e proteger a saúde dos profissionais do Hospital de Santa Maria».

Muito embora já em actividade, só em Agosto será estabelecido o pleno funcionamento do Serviço de Saúde Ocupacional

Dada a complexidade e número de funcionários do Hospital – são aproximadamente cinco mil profissionais distribuídos nas mais diversas áreas e expostos a múltiplos factores de risco de natureza física, química, biológica e também psicossocial – disse-nos a Dra. Ema Leite que o SSO, apesar de já estar em actividade, está ainda na fase de organização do Serviço, nomeadamente na componente de aquisição de Recursos Humanos e de Instalações próprias, razão que obsta à previsão de uma data para o pleno estabelecimento do Serviço, mas tudo indica que, ao longo do próximo mês de Agosto (2006), o Hospital de Santa Maria já disponha do seu Serviço de Saúde Ocupacional.


Uma das salas de trabalho do Serviço de Saúde Ocupacional

Os elementos relativos à estrutura e organização do Serviço de Saúde Ocupacional, assim como normas e procedimentos relacionados com a saúde e segurança, estão disponíveis na Intranet para consulta de todos os profissionais.


Texto de: Carlos Gamito

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